Lembranças de pandemias, notícias da gripe espanhola há 36 anos.

Atualmente estamos vivendo uma pandemia provocada pelo Coronavírus, ainda não temos plena noção das baixas que ela pode causar. Na cidade de Rio Preto, no dia de hoje, temos 1.859 casos confirmados de covid-19, com 60 mortes 1 . No Brasil, são 1.111.348 casos com 51.407 mortes 2.

A gripe espanhola (1918-1920), segundo algumas fontes, causou algo em torno de 50 milhões de mortes. Essa pandemia foi lembrada na cidade de Rio Preto em um artigo do dia 1º de janeiro de 1984 publicado no Diário da Região.

Convido a analisar o texto.

Notas:

1- Prefeitura de Rio Preto, 22/06/2020.

2. Bem Estar – G1. 22/06/2020.

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O misticismo e o sobrenatural em alguns lugares de Rio Preto.

O que chamamos hoje de ciência trata-se basicamente de uma interpretação de mundo com métodos e técnicas próprios que começaram a se configurar mais estruturadamente a partir do Renascimento.

Extensões e interpretações subjetivas do mundo figuram entre os entendimentos mais antigos. Normalmente o misticismo e o sobrenatural estão ligados às religiões e sistemas de crenças, muitos dos quais existem há 5.000 mil anos, a Cabala e o Hinduísmo fazem parte dessas expressões.

O progresso que a ciência nos trouxe promoveu mudanças sem precedentes na história. Contudo, ainda guardamos conosco muito do misticismo e do sobrenatural. O misticismo e o sobrenatural, de modo geral, são vistos de forma pejorativa pelas pessoas não versadas nas humanidades. Obviamente são extensões que guardam uma significativa relação com crendices, senso comum, fanatismo etc. Tudo isso pode causar perigos e comportamentos que comprometem relações altruístas. A ciência também trás consigo seus perigos, mas são mais aceitáveis devido a capacidade de comprovação e aferição universal de seus resultados.

A pretensão aqui é mostrar e narrar histórias e determinados lugares de São José do Rio Preto que adquiram no tempo histórico algum relato místico e sobrenatural. Não guarda relações com a ciência, mas se enquadram no rool da memória, da história e da cultura, posto que são locais pelos quais pessoas desenvolveram vínculos, viveram e sentiram o que deles falaram ou presenciaram ver conceito de lugar em Geografia. Dessa forma, deixamos claro que o que desses lugares se falam são informações do senso comum, relatos; dentre outros de comprovação impossível.

Praça Rio Branco-centro de Rio Preto – foto Alexandre de Freitas.

Talvez o lugar que guarda mais misticismo em Rio Preto seja a Praça Rio Branco, onde se localiza o fórum central da cidade. Ali foi o primeiro cemitério de Rio Preto, depois do cemitério tornou-se um espaço vago e depois foi construído o grupo Cardeal Leme. Ouvem-se relatos de pessoas que sentem sensações estranhas desde os tempos do colégio, alguns comerciantes e funcionários de comércio das proximidades já relataram agouro e má sorte nos seus estabelecimentos.

Praça Ugolino Ugoline,
Vila Maceno – foto: Alexandre de Freitas.

Ainda se falando em campos santos, o segundo cemitério da cidade se localizava onde hoje é a praça Ugolino Ugoline, na vila Maceno. Hoje há uma escola infantil exatamente onde era a parte mais baixa do cemitério, as igrejas da paróquia Monte Serrat na parte de cima da praça, um coreto e um ponto de táxi.

Sobre o local as história são muitas, já surgiram relatos que acharam ossos quando foram fazer a orta da escola, espíritas já relataram que um centro próximo ao local foi construído com a finalidade de resgatar espíritos que habitaram os corpos que ali foram enterrados, existem também relatos de sensações estranhas de quem por ali passa constantemente.

Capelinha da avenida Mirassolândia – foto: Alexandre de Freitas.

Alguns lugares são fora de suspeita, essa capelinha existiu na avenida Mirassolândia próxima ao antigo bailão do São Pedro, mais exatamente no cruzamento com a avenida Antônio Marcos de Oliveira. Dessa eu tenho relatos mais próximos, meu avó (1919-2002) disse que por volta de 1930, uma pessoa dos sítios da região foi comprar formicida Tatu em Rio Preto a mando de um sitiante, bem ali, onde havia a capelinha, ele, a título de brincadeira, disse ao seu companheiro que iria colocar um pouco de formicida na boca para verificar o gosto, apesar do amigo ter o advertido o infeliz jogou um pouquinho na boca, relata-se que o homem caiu em poucos segundos e só deu tempo de dizer: é salgado.

Praça da fonte, na avenida Andaló – foto: Alexandre de Freitas.

A praça da Fonte, inaugurada em 1965 por Loft João Bassitt, fica próxima ao Mc Donald da Andaló, ao lado de um colégio. O lugar foi frequentado por mim, ali havia uma fonte na qual muita gente pegava água ou passava ali para matar a sede, no meu caso, já bebi muita água nessa fonte. Oswaldo Tonello em seu livro “São José do Rio Preto: memória de Oswaldo Tonello” na p. 37, relata que no local onde hoje é o Mc Donald havia um ramal d’água que abastecia algumas chácaras mais abaixo, hoje Santa Cruz. Ao que tudo indica, era um local muito propício à água. Quando se iniciou a obra ao lado, hoje o colégio, não se sabe ao certo, mas fonte secou ou foi desviada. Até aí nada de místico, mas dizem as pessoas ligadas às seitas esotéricas que conectam o ser humano à natureza que, uma agressão desse tipo é factível de uma maldição. Assim, tudo que por ali tentar se estabelecer sofrerá para ter sucesso comercial.

Antigo hospital Egas Munis – foto: Alexandre de Freitas.

Esse lugar também guarda muito misticismo, localiza-se na avenida e maio, próximo ao posto Cristo Rei (um empreendimento imobiliário deve estar prestes a demoli-lo), ali era um hospital psiquiátrico, para certas as pessoas locais como esse guardam energias negativas. São inúmeros os relatos de pessoas que relatam aparições e má influência. Muitas pessoa já relatam pelas nova mídias as histórias horripilantes sobre o local .ver reportagem do Diário da Região Muito antes de existir a internet comercial eu passava por ali no antigo estradão de terra que ligava o São Judas à Vila Toninho e ouvia essas histórias sobre o lugar.

Casarão abandonado na antiga fazenda do Zé Caseiro – foto: Alexandre de Freitas.

Para pessoas que moraram na Vila Toninho o lugar já causou muito arrepio, muitos diziam que era da época dos escravos (historicamente não) e os espíritos deles atormentam o lugar. Havia outras construções que deveriam ter sido preservadas, a sede mesmo foi demolida, na verdade era um lugar muito bonito com uma enorme represa, o bairro Santa Regina e o avanço de barracões comerciais acabaram com a história e a memória da localidade.

A propriedade misteriosa da Estância Jockey Club – foto: Alexandre de Freitas.

Essa propriedade causou muito medo em crianças e adolescentes que passam pelo local na década de 1980, eu já escrevi um artigo leia o artigo sobre o local e muita gente me pergunta se é verdade e eu digo: o medo é verdade, mas as causas reais do medo possivelmente não. Falavam-se em uma enorme casa mal assombrada e coisas de todos o s tipos.

Há outros locais dos quais muito se falam mas de minha parte eu não os vivenciei e nem explorei com profundidade. Dentre eles posso citar: o cruzeiro da Anchieta, ali parece que ocorreu um assassinato; o colégio em frente ao Rio Preto Shopping na avenida Francisco Chagas de Oliveira, parece que foi um hospital psiquiátrico; a catedral de Rio Preto para alguns também se equipara ao um lugar mística, pois ali estão enterrados padres e bispos.

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Meu recado a você. Seção de recados em jornais.

Na década de 1980 em São José do Rio Preto, muito jovens se comunicavam pelos jornais. O jornal Diário da Região era o preferido, ali tinha a seção Meu recado a você.

Diário da Região, 01 out. 1985. p. 17.

Apesar do espaço ser usado por pais e parentes felicitando crianças e jovens pelos aniversários, o que chamava a atenção mesmo era ficar sabendo o que rolava entre os jovens, quem estava paquerando quem. Em alguns casos era um recado coletivo. Lembro de uma saudação ao pessoal do prédio da Maceno, naquela época havia um prédio naquele bairro. Já tive notícias de pessoas que começaram a namoram através dos recados deixados ali. Claro que também havia desabafos e xingos.

Era uma comunicação mais lenta, demorava para o interessado ler, às vezes nem lia, gerava uma expectativa gostosa todas essas ações de ir ao jornal, pagar… publicar e depois ler. Movimentava mais as pessoas, a economia e os cérebros.

Quando se achava no jornal um recado dirigido a pessoa, era uma felicidade, nunca recebi um, mas, confesso, tinha uma ponta de inveja quando alguém me mostrava um recorte de jornal colado num caderno com um recado da seção Meu recado a você.

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Pioneiros da medicina em Rio Preto. O Dr. Fritz Jacobs.

Fritz Jacobs foi um médico alemão que atuou na cidade de São José do Rio Preto nas primeiras décadas do século XX. O médico nasceu na Alemanha, na cidade de Hildeshein, na baixa Saxônia, veio para o Brasil com 15 anos de idade e chegou à Rio Preto em 1909, com 39 anos.

Na cidade é conhecido como um médico “completo”, era cirurgião, extraia dentes e era médico da família. Doou o terreno para construção da sede da primeira Sociedade de Medicina e Cirurgia da cidade e quando se aposentou doou seus pertences à Santa Casa de Rio Preto.

O médico foi para São Paulo onde faleceu no ano de 1943, aos 73 anos de idade. No bairro Boa Vista há uma rua com o seu nome e no centro da cidade há um edifício que leva o seu nome.

Referência:

Diário da Região, 19 març, 2008. Encarte especial, p. 18.

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Os exilados da Unesp/Ibilce de Rio Preto.

Memória

Alguns nomes podem cair no esquecimento, os motivos são vários… o próprio tempo pode apagar a relevância de uma vida. A Unesp de Rio Preto tem uma história rica, grandes acadêmicos da instituição contribuíram com a produção científica a nível local, regional e até nacional. Pessoas com essa relevância, normalmente, são lembradas quando a conjuntura política, social e econômica de uma determinada época tem interesse em divulgar esses nomes. Aqueles que, possivelmente, não agradaram em um determinado momento político não são tão lembrados como outros, há uma escolha mnemônica. Obviamente há exceções nesta observação que fizemos.

Gostaríamos de lembrar aqui, do pouco lembrado, Prof. Wilson Cantoni, tinha formação na área de humanidades e foi professor da Unesp entre 1956 e 1964. Essa última data nos lembra algo, não é? Então, neste ano, o golpe militar tirou o professor de cena. Ele foi demitido e se exilou no Chile. Neste país ele trabalhou na Unesco até 1977, ano em que faleceu.

“Natural de Franca, o Prof Cantoni formou-se pela USP, em 1949, e especializou-se em Sociologia e Politica pela mesma universidade, em 1951.

De 1952 a 1955, foi professor do Instituto de Pirassununga. Ingressou na FAFI em 1956, tornando-se integrante do primeiro corpo docente da faculdade.

A repressão de 1964 demitiu o Prof. Cantoni, com base no ato institucional. Ele emigrou para o Chile, onde passou a trabalhar para a UNESCO, até falecer, em 1977″. (Unesp/Rio Preto)

No Jardim São Marcos há uma rua que homenageia o Prof. Cantoni, no google maps está grafado com “e”. Não apuramos se é uma homenagem para a mesma pessoa com grafia errada ou para algum homônimo.

E mais…

Em uma dissertação de mestrado de Caroline Maria Florido: “Da efervescência cultural ao obscurantismo ditatorial: a história da faculdade de filosofia, ciência e letras de São José do Rio Preto sob o olha da intervenção de 164” – temos um trabalho excelente abordando os impactos do golpe militar na UNESP de Rio Preto.

Professores como Franz-Wilhelm Heimer, um alemão ligado ao estudos de línguas e pedagogia, envolvido com ações populares de alfabetização teve sua casa vasculhada pelos militares. Segundo a pesquisadora, os seguintes professores foram investigados:

“Na lista do Deops constam ainda os nomes dos três vereadores cassados na ocasião – Armando Casseb, Benedito Rodrigues Lisbôa e José Eduardo do Espírito Santo – além dos seguintes professores universitários que foram investigados por práticas revolucionárias: Orestes Nigro, Joacyr Badaró, José Aluysio Reis de Andrade, João Jorge da Cunha, Casemiro dos Reis Filho, Ary Neves da Silva, Pedro Bonilha Regueira, Newton Ramos de Oliveira, Lelia Rodrigues Banozzi, José de Arruda Penteado, Mary Amazonas Leite de Barros, Hélio Leite de Barros e Maurício Tragtemberg. As investigações do Deops na FAFI começaram após manifestação de solidariedade e integral apoio ao regime feito pelos professores Celso Mourão, Fahad Arid, Luiz Dino Vizotto, Samir Barcha, entre outros. Em comunicado publicado na capa do Diário no dia 7 de abril de 1964, os professores manifestam pesar pelas atividades ilegais de professores da faculdade e solicitam rigoroso inquérito para apurar eventuais responsabilidades dos subversivos”.

(Rodrigo Lima, Diário da Região, 12 de agosto de 2007 apud FLORIDO, 2013. p. 13).

Outro professores tiveram que se exilar, comprometendo suas carreiras profissionais, ou ficaram por aqui sofrendo perseguição.

“Vários professores que tem oportunidade emigram para universidades no exterior: Norman Maurice Potter e Anoar Aiex para os Estados Unidos; Franz Wilhelm Heimer para a Alemanha; Wilson Cantoni para o Chile; Elena Andreolli para Besançon, na França. Os que permanecem amargam seus “exílios brancos”. Alguns são processados pela Lei de Segurança Nacional, primeiro na Justiça comum, depois na Justiça Militar. Alguns são agasalhados por escolas superiores ou de 2º grau experimental católicas. Todos sofrem perseguições administrativas por anos e anos; alguns perderam seus cargos obtidos por concurso público no magistério estadual paulista. Os melhores alunos desde 1957 até 1967 (bastava um ano de aula com professores renovadores…) encontravam dificuldades para lecionar em universidades nos anos seguintes marcados pelo autoritarismo.”

(Oliveira, 1989, p.205 apud FLORIDO, 2013. p.25)

Referências.

Unesp/Rio Preto. 

FLORIDO, Caroline Maria. Da efervescência cultural ao obscurantismo ditatorial: a história da faculdade de filosofia, ciência e letras de São José do Rio Preto sob o olha da intervenção de 164 – temos um trabalho excelente abordando os impactos do golpe militar na UNESP de Rio Preto. [dissertação de mestrado] Unicamp, [s.n.], 2013.

Wikipédia. Bibliografia de Franz-Wilhelm Heimer.

Observação: informações para enriquecer esse esboço de artigo serão bem-vinda. Entre em contato comigo. 

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Córregos que secaram em São José do Rio Preto. Um afluente do Piedadinha que secou.

A urbanização de uma localidade vem acompanhada de muitas agressões ambientais, uma delas está relacionada aos impactos aos recursos hídricos, seja em forma de contaminação, assoreamento, mortandade de peixes e até mesmo o fim do curso d’água.

As áreas de nascentes são essenciais para preservação dos cursos cursos d’água e dos córregos, muitas bacias urbanas já estão comprometidas devido a retirada da mata ciliar que as protegia. As nascentes, em nossa região, formam-se em zonas de saturação e transferem água subterrânea para superfície, a infiltração da água no solo é importantíssimo para preservar as nascentes.

Na zona norte de Rio Preto, no bairro Ana Célia II, até o início da década de 1970, havia um pequeno curso d’água que hoje não existe, ou pelo menos sua nascente regrediu muito (pois possivelmente pode estar dentro de uma propriedade privada). A geomorfologia do local apresenta as características viáveis para ali nascer um curso d’água.

O local da possível nascente deveria ser bem próximo à rua dos Direitos Humanos junto a rua Braulina Franco Leme, dali o as águas corriam para o córrego Piedadinha. Dessa forma, estamos falando de um possível afluente do córrego Piedadinha.

Nota-se na avenida Antônio Marcos de Oliveira um fluxo d´água canalizado que desemboca no Piedadinha na altura da rua Nestor Brandão,  possivelmente há uma nascente ali que está resistindo à urbanização. Mas em carta do IBGE de 1972, Folha SF 22-X-B-IV-3, verifica-se um curso d’água bem maior, a ponto de podemos chamá-lo de um pequeno córrego.

Vamos analisar algumas imagens.Piedadinha

Podemos ver nesta carta que a nascente do curso d’água que estamos analisando se encontrava bem próxima à avenida Mirassolândia.

O curso d’água também é notável em um mapa de 1959, quando a área era totalmente rural.

Afluente do PiedadinhaNo mapa acima notamos que a área urbana da cidade acabava no linha do trem, na altura da avenida Cenobelino, o curso d’água está cartografado com nascente bem próximo à avenida Mirassolândia.

Vamos analisar uma imagem atual do google maps.

Curso da agua no ana céliaA imagem atual nos mostra a área urbanizada e o local onde possivelmente o curso d’água nascia.

Outro fato preocupante é que na área próxima onde era a nascente, hoje se encontra um ponto de apoio da prefeitura, local onde se descartam entulhos e demais objetos, alguns com possibilidade de contaminar o lençol freático. Pior ainda, antes de haver este ponto de apoio ali se descartavam todo tipo de lixo e entulho.

Possivelmente a memória da antiga nascente foi sumindo junto com ela. Uma vez que isso acontece perdem-se as referências do que  local foi um dia. Em locais onde surgem nascentes o ideal é manter a vegetação ou, quando essa já não existe mais, iniciar plantação de árvores para, quiçá, um dia as águas voltem a brotar.

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Passado e presente próximo à rodoviária de Rio Preto. As modificações paisagísticas.

Os lugares urbanos sofrem transformações devido principalmente à dinâmica econômica que impacta nas configurações espaciais. Às vezes um local é tão modificado que custa a identificarmos ele no passado. Num exercício de imaginação, se de Rio Preto saísse uma pessoa na década de 1960 e voltasse em 2018 algumas partes da cidade ficariam quase impossíveis de serem reconhecidas.

O bom senso preza pela preservação de determinados artefatos culturais que são mais significativos para a história e a memória de determinadas localidades, impedir as mudanças é algo impossível, mas quando elas se realizam sem levar em conta a importância de determinados artefatos é sinal de atraso cultural e desprezo com a história e a memória.

Analisem as imagens a seguir.

IMG_20180302_110356

Esta imagem mostra uma visão do viaduto do no final da avenida Andaló que dá acesso à avenida Philadelpho Gouvea Neto, deste ângulo é possível ver onde hoje se localiza a rodoviária. Na época ela não existia, do lado esquerdo nota-se uma caixa d’água, do lado direito a estação ferroviária. Próximo à caixa d’água por muito tempo foi estabelecido o terminal dos ônibus da Vila Toninho, às vezes ali se instalava um parque de diversões, era um terreno brejeiro, no qual nasciam taboas. Ali havia uma rua que dava acesso à rodoviária, com a construção do terminal urbano essa rua deixou de existir. Ali havia umas construções antigas, possivelmente de 1930 (?) que não foram preservadas. O local era e é muito suscetível de inundações. Possivelmente a foto é da década de 1960.

Rodoviária

Esta imagem retrata praticamente o mesmo local da foto antiga, nota-se a em primeiro plano o terminal urbano e bem lá no fundo, quase não dá para ver, a rodoviária. Em breve esta parte do espaço da cidade sofrerá mais transformações devido a conclusão do novo terminal urbano. O qual já foi responsável por dar fim à praça Cívica.

Na imagem recente (2018) nota-se também a grande verticalização pela qual a cidade vem passando, na foto antiga avistamos poucos prédios, um em destaque, na recente são muitos, espalhados para além da região central.

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Morte de cachorros em Rio Preto em 1912.

Valores e costumes se alteram no tempo e no espaço, o que em uma determinada época parece correto e aceitável em outra pode ser um horror ou algo totalmente reprovável.

No ano de 1910, na cidade de São José do Rio Preto, um anúncio no jornal A Cidade elogiava um tal de Chicão – Chico Motta – pelo brilhante papel que desempenhava em matar os cachorros vadios.  Uma atitude destas nos dias de hoje causaria repugnância.

Estamos vivendo em uma época em que alguns animais vem ganhando muito cuidado, associações se multiplicam em defesa de alguns animais e os maus tratos são entendidos como crime. Ao que tudo indica não era essa a preocupação dos rio-pretenses no início do século XX.

Morte de cachorros em 1910Fonte:

Jornal A Cidade, 30 março, 1912, ano I, nº 42, p.2.

Obs.: Foto ilustrativa, não corresponde à época. Fonte.

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Engenheiros do início do século XX em Rio Preto.

Possivelmente o engenheiro mais famoso que fez história em Rio Preto foi o Dr. Ugolino Ugolini, ele teve importantes participações em obras como a famosa estrada do Tabuado, o primeiro traçado da cidade, o cemitério da Ercília, idealizou linhas de bonde e serviço telefônico na cidade¹.

Mas, no ano de 1912, era o  engenheiro Cesare Corio di Burisco, também italino como Ugolini, que anunciava seus serviços no jornal A Cidade. Cesares nasceu em Torino no dia 25 de fevereiro de 1871 e faleceu no Brasil em 21 de abril de 1930, foi sepultado em São Paulo².

engenheiro em 1912 rio preto

Engenheiro Dr. Cesare Corio di Burisco

Engenheiro texto

As informações sobre o engenheiro Cesare Corio di Burisco não são muitas, nota-se apenas alguns anúncios no jornal A Cidade no por volta do ano de 1912. Diante do que sabemos, podemos fazer algumas indagações: será que ele conhecia seu colega de profissão Ugolino Ugolini? Como veio parar aqui e até quando por aqui morou, visto que foi sepultado em São Paulo? Em que lugar da rua Independência ficava seu escritório?

Também no Jornal A Cidade, do dia 13 de abril de 1912, na p. 2, consta que o Dr. Buriasco era o responsável técnico pela construção da segunda matriz de Rio Preto. Porém, o profissional desistiu do serviço.

Era muito natural que engenheiros viessem da Europa para o Brasil no começo do século XX, isso aconteceu com nomes como Ugolino Ugoline, o engenheiro Schimidt, o Alexandre Brodosqui etc.

Referência e notas:

Jornal A Cidade, 24 de fev. 1912. ano I, nº 37. p. 3.

1 – ARANTES, Lelé. Diário da Região [online] https://www.diariodaregiao.com.br/index.php?id=/secoes/opiniao/artigos/materia.php&cd_matia=856469 Acesso 19/11/2018.

2 – Ceni – genealogias [online] https://www.geni.com/people/CESARE/341936379480014745 Acesso 19/11/2018

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O primeiro cemitério de São José do Rio Preto e a praça Rio Branco.

Primeiro cemitério montagem

O primeiro cemitério de São José do Rio Preto ficava no quarteirão formado pelas atuais ruas Bernardino de Campos, Delegado Pinto de Toledo, Marechal Deodoro e Voluntários de São Paulo. Hoje ali se localiza o fórum da cidade e a praça na qual ele está é a praça Rio Branco.

O jornal A Cidade, na edição de 24 de fevereiro de 1912, trazia a notícia de manifesto de que o povo gostaria que a praça tivesse o nome de Praça Rio Branco. Na época, o anúncio falava da construção do teatro, e da centralidade que o local iria ter no futuro.

Primeiro cemitério texto

Referência:

Jornal A Cidade, 24 fev. 1912, ano I, nº 37.

 

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