Bernardino de campos recortada

São José do Rio Preto; imagem, memória e história.




Hoje em dia as fotos são muito acessíveis, mas por muito tempo foram coisas raras. “Sair numa foto”, no jargão popular, erá um acontecimento relevante. Atualmente qualquer smartphone captura imagens que povoam as rede sociais, mas isso é coisa muito recente.

A grosso modo, até a década de 1980, para as famílias mais pobres, a fotografia era algo caro. Comprávamos o filme, tirávamos as fotos e, às vezes, não tínhamos dinheiro para revelá-las. Até o início dos anos 2000 era possível comprar máquinas que funcionavam com filmes, depois as fotos digitais foram ganhando espaço

Bom, se até a década de 1980 as fotografias não eram tão populares, o que se pensar da década de 1940-50?

Nesta época, não é exagero falar, as fotografias retratavam eventos importantes, arquitetura imponente, casas de pessoas ricas. Em fim, quanto mais poder, prestígio e dinheiro mais se aparecia em fotografias. Pessoas comuns ao verem um fotógrafo ficavam excitadas, era um misto de medo, vergonha e desejo de ser fotografada.

As lentes estavam focadas em um ponto escolhido intencionalmente, o fotógrafo faz um recorte do mundo influenciado pela cultura, pela circunstância, pela sua experiência de vida ou pelo dinheiro e… clica. Não existe foto neutra, imparcial. Na foto o momento fica congelado. Eterniza-se. E, passado anos, as fotografias podem fornecer elementos muito importantes para se fazer leituras. Elas, muitas vezes por acaso, tornam-se elementos vivo do passado, pelos quais as releituras acontecem.

Bernardino de campos recortada

Por exemplo, o que será que essa jovem fazia no momento dessa foto?

Quem era ela?

Quem a fotografou e por quê?

Parece alhar para alguém, há um homem passando próximo mas, ao que parece, não é ele que chama a atenção da jovem. São muitas interrogações difíceis.

Talvez falte elementos para esclarecê-las. Algumas informações, como a cidade na qual ela foi tirada, o ano, por quem? Infelizmente nem todas as perguntas podem ser respondidas, mas algumas sim.

Essa foto foi tirada em São José do Preto, na rua Bernardino de Campos, na década de 1940. Parecia um evento, com muita gente na rua. A foto foi recortada por mim. Vejamos-a inteira.

Bernardino de campos inteira

Notem a moça no canto inferior esquerdo da foto. O prédio ao fundo é o antigo prédio do cine Curte/Hotel São Paulo, ainda presente na paisagem nos dias de hoje. Os homens quase todos de ternos e com chapéus. Pela posição das sombras parece ser mais ou menos 9 horas da manhã, contrariando os dizeres próximos à moça em destaque da foto anterior,  os quais afirmam que a foto foi tirada à tarde. O local da Bernardino fica entre as ruas Jorge Tibiriçá e Silva Jardim.

Vejam a foto com a indicação da moça.

Quantas outras leituras são possíveis? Poderíamos falar em moda da época? Bem possível. Analisar a arquitetura, pensar no motivo de ter tanta gente na rua, qual dia da semana que era… e assim por diante.

As imagens dão combustível para muita pesquisa. Despertam a memória e ajudam na história de uma localidade.

foto bernardino com seta

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