Monagem eduardo piacente

Eduardo Piacenti: o amigo da gente! Algumas lembranças.

Monagem eduardo piacente

O ano era 1992, eu um jovem pintor de letreiros e o Eduardo Piacenti na sua primeira candidatura a vereador de Rio Preto. Eu andava pintando muros para políticos naquelas plagas entre jardim Novo Mundo, Urano, Sinibaldi e Estoril quando ele me parou dizendo que era candidato e que queria pintar alguns muros. Convidou-me para subir no seu Monza e ir até aos muros que ele tinha para pintar e assim foi nosso primeiro contato.

Pintor, quando você me entrega esses muros? Perguntou-me com voz firme. Eu disse: no máximo em uma semana. Então, quando você acabar de pintá-los me ligue que a gente os verifica e eu lhe pago. Cumprimentamos-nos e eu sai feliz com mais uma empreitada. Época de política nas décadas de 80 e 90 do século passado era quando nós, pintores de letreiros, ganhávamos dinheiro.

Uma semana depois eu liguei para o Eduardo. Venha a minha casa às 8 da manhã, ouvi ao telefone. Eu entrei no meu Fiat 147 ano 1978. Dei partida. Nada! Outra vez. O motor roncou feio… tive que dar um tranco para ir ao meu encontro. Resultado, cheguei um pouco atrasado. O Eduardo me esperava em frente a sua casa, olhou e disse: pensei que não queria mais receber. Eu apenas sorri e falei, ainda com o motor do carro funcionando: entra ai, vamos no meu carro. Ele tomou coragem e entrou.

Assim que bateu a porta eu notei a estranheza dele. Um misto de medo e respeito pela situação de penúria daquele veículo. Mas, para piorar, o maldito Fiat afogou. Como estávamos na descida, dei o segundo tranco do dia. Foi um estrondo, parecia que que o motor ia cair. Não me esqueço do susto que o Eduardo levou. Eu ri. Parecia que havia se arrependido de subir no Fiat. Disse-me: tá sem partida? Sim, eu falei e brinquei: estou esperando o seu dinheiro para arrumar.

Menos de um quarteirão depois ele me disse: deixe-me em casa e leva esse carro ao autoelétrico ali da avenida Potirendaba. Eu pago.

Deu-me um cartão e pediu para que, quando chegasse lá, falar para o eletricista ligar para ele. Topei na hora. Entrei no autoelétrico e falei: o Piacente mandou eu vir aqui arrumar o carro, tá aqui o cartão dele, pediu para você ligar. Um minuto depois o eletricista falou: toma o telefone, pintor, ele quer falar com você. Peguei o telefone e ouvi: deixa o carro aí e vem aqui em casa, nós vamos ver os muros com o meu carro. O conserto eu pago. Depois descontamos.

Eu mais um vez brinquei: mas, e se os muros não tiverem pintados? E ouvi: tenho certeza que estão.

Ao meio dia eu estava com do cheque o Eduardo na mão e fui ao autoelétrico buscar meu Fiat. Achei que o eletricista ia descontar meu cheque. Mas não, e me disse: o Piacenti disse que vai pagar, você vê com ele depois. Sai feliz com meu 147, parei num orelhão e liguei para o Eduardo: pô Eduardo, vai ter mais muro para eu abater o conserto? Claro né pintor! Passe aqui a semana que vem que já estou arrumando outros muros para você pintar.

E foi assim que, um até então um “desconhecido” candidato que viraria vereador em 1996, na sua segunda candidatura que disputou, e futuro presidente da câmara de Rio Preto,  confiou em um jovem pintor de letreiros. Obrigado Eduardo Piacenti: o amigo da gente! Não nos decepcionamos! Esteja onde estiver, fique em paz.

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