Os exilados da Unesp/Ibilce de Rio Preto.

Memória

Alguns nomes podem cair no esquecimento, os motivos são vários… o próprio tempo pode apagar a relevância de uma vida. A Unesp de Rio Preto tem uma história rica, grandes acadêmicos da instituição contribuíram com a produção científica a nível local, regional e até nacional. Pessoas com essa relevância, normalmente, são lembradas quando a conjuntura política, social e econômica de uma determinada época tem interesse em divulgar esses nomes. Aqueles que, possivelmente, não agradaram em um determinado momento político não são tão lembrados como outros, há uma escolha mnemônica. Obviamente há exceções nesta observação que fizemos.

Gostaríamos de lembrar aqui, do pouco lembrado, Prof. Wilson Cantoni, tinha formação na área de humanidades e foi professor da Unesp entre 1956 e 1964. Essa última data nos lembra algo, não é? Então, neste ano, o golpe militar tirou o professor de cena. Ele foi demitido e se exilou no Chile. Neste país ele trabalhou na Unesco até 1977, ano em que faleceu.

“Natural de Franca, o Prof Cantoni formou-se pela USP, em 1949, e especializou-se em Sociologia e Politica pela mesma universidade, em 1951.

De 1952 a 1955, foi professor do Instituto de Pirassununga. Ingressou na FAFI em 1956, tornando-se integrante do primeiro corpo docente da faculdade.

A repressão de 1964 demitiu o Prof. Cantoni, com base no ato institucional. Ele emigrou para o Chile, onde passou a trabalhar para a UNESCO, até falecer, em 1977″. (Unesp/Rio Preto)

No Jardim São Marcos há uma rua que homenageia o Prof. Cantoni, no google maps está grafado com “e”. Não apuramos se é uma homenagem para a mesma pessoa com grafia errada ou para algum homônimo.

E mais…

Em uma dissertação de mestrado de Caroline Maria Florido: “Da efervescência cultural ao obscurantismo ditatorial: a história da faculdade de filosofia, ciência e letras de São José do Rio Preto sob o olha da intervenção de 164” – temos um trabalho excelente abordando os impactos do golpe militar na UNESP de Rio Preto.

Professores como Franz-Wilhelm Heimer, um alemão ligado ao estudos de línguas e pedagogia, envolvido com ações populares de alfabetização teve sua casa vasculhada pelos militares. Segundo a pesquisadora, os seguintes professores foram investigados:

“Na lista do Deops constam ainda os nomes dos três vereadores cassados na ocasião – Armando Casseb, Benedito Rodrigues Lisbôa e José Eduardo do Espírito Santo – além dos seguintes professores universitários que foram investigados por práticas revolucionárias: Orestes Nigro, Joacyr Badaró, José Aluysio Reis de Andrade, João Jorge da Cunha, Casemiro dos Reis Filho, Ary Neves da Silva, Pedro Bonilha Regueira, Newton Ramos de Oliveira, Lelia Rodrigues Banozzi, José de Arruda Penteado, Mary Amazonas Leite de Barros, Hélio Leite de Barros e Maurício Tragtemberg. As investigações do Deops na FAFI começaram após manifestação de solidariedade e integral apoio ao regime feito pelos professores Celso Mourão, Fahad Arid, Luiz Dino Vizotto, Samir Barcha, entre outros. Em comunicado publicado na capa do Diário no dia 7 de abril de 1964, os professores manifestam pesar pelas atividades ilegais de professores da faculdade e solicitam rigoroso inquérito para apurar eventuais responsabilidades dos subversivos”.

(Rodrigo Lima, Diário da Região, 12 de agosto de 2007 apud FLORIDO, 2013. p. 13).

Outro professores tiveram que se exilar, comprometendo suas carreiras profissionais, ou ficaram por aqui sofrendo perseguição.

“Vários professores que tem oportunidade emigram para universidades no exterior: Norman Maurice Potter e Anoar Aiex para os Estados Unidos; Franz Wilhelm Heimer para a Alemanha; Wilson Cantoni para o Chile; Elena Andreolli para Besançon, na França. Os que permanecem amargam seus “exílios brancos”. Alguns são processados pela Lei de Segurança Nacional, primeiro na Justiça comum, depois na Justiça Militar. Alguns são agasalhados por escolas superiores ou de 2º grau experimental católicas. Todos sofrem perseguições administrativas por anos e anos; alguns perderam seus cargos obtidos por concurso público no magistério estadual paulista. Os melhores alunos desde 1957 até 1967 (bastava um ano de aula com professores renovadores…) encontravam dificuldades para lecionar em universidades nos anos seguintes marcados pelo autoritarismo.”

(Oliveira, 1989, p.205 apud FLORIDO, 2013. p.25)

Referências.

Unesp/Rio Preto. 

FLORIDO, Caroline Maria. Da efervescência cultural ao obscurantismo ditatorial: a história da faculdade de filosofia, ciência e letras de São José do Rio Preto sob o olha da intervenção de 164 – temos um trabalho excelente abordando os impactos do golpe militar na UNESP de Rio Preto. [dissertação de mestrado] Unicamp, [s.n.], 2013.

Wikipédia. Bibliografia de Franz-Wilhelm Heimer.

Observação: informações para enriquecer esse esboço de artigo serão bem-vinda. Entre em contato comigo. 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Sobre Alexandre de Freitas

Graduado e pós-graduado em ciências humanas, professor na educação básica e superior.
Esta entrada foi publicada em Ciências Humanas. ligação permanente.