Cidades do medo.

Para Hi-fu Tuan as cidades representam a inspiração máxima da humanidade, são a ordem perfeita mais harmoniosa, um verdadeiro símbolo da ordem cósmica na arquitetura e nos laços sociais. Porém, o mesmo cientista, constata que as cidades são causadoras de grandes medos nas pessoas. E isso não vem de hoje, desde a antiguidade as cidades são capazes de provocar pavor em seus habitantes.
Ruídos, crimes, fogo, gritaria, acidentes sempre estiveram presentes nas paisagens urbanas. E ainda hoje, amendronta-nos quase todos os dias.
O ruído natural é algo que conforta e inspira a paz. Mas a cidade transforma-se  em um inferno de ruídos. Falar de ruídos em cidades médias e grandes nos dia de hoje é “chover no molhado”. No entanto, esses barulhos ensurdecedores vêm desde há muito tempo.
Em Roma vendedores gritavam em pleno pulmões, carruagens faziam um grande estrondo noite à fora a ponto de quase ninguém conseguir dormir. Nas cidades medievais os sinos eram ensurdecedores, para vencer o som dos sinos vendedores berravam em notas acima do lá, outras vezes trabalhadores dessas cidades usavam tinidos agudos que pertubavam tudo e todos.
Só para falar de Londres de 1771 “essa cidade possuía mil carruagens de aluguel. A princípio eram veículos muito pesados com postigos de ferro forjado. sua rodas rangendo sobre as pedras do calçamento das ruas produziam um barrulho torturante.” [1].
O problema das cidades vão além dos sons. As cidades até aproximadamente o século XVIII, não eram planejadas com cuidado para se orientar e se localizar. Pareciam mais um grande labirinto onde as pessoas, não raro, tinham que dar enormes voltas para chegar ao lugar de destino. A noite, sair nessas cidades era o que tnha de mais perigoso, há relatos de pessoas que se perdiam em Roma em noites sem lua. Alguns tinham que marcar o caminho para depois poder voltar aos seus lares.
Acidentes com carruagem que dividiam as ruas estreitas com pedestres era uma rotina nas cidades antigas. Contudo, o mais perigo de todos os tempos talvez fosse o fogo. Cidades arderam em chamas em todos os continentes e se hoje, como toda estrutura do Estado, o fogo ainda assusta imaginem em um época onde não havia bombeiros.
Os materiais eram frágens, às vezes utilizavam muita madeira como viga de sustentação, sem contar que a própria iluminção da época era a bases de tochas. No ano de 6 d.C. Augusto criou uma brigada de incêndio que tinha sete tropas com 1.000 a 1.200 homens cada uma para dar conta dos constantes incêndios da cidade.
Recolher-se à noite não é coisa nova. Isso ocorria nas cidades da Renascença e em várias outras cidades europeias e estadunidenses. Forasteiros eram barrados e não podiam se fixar em casas de supostos conhecidos. Boston em 1636, criou regras para excluir estranhos, pobres e indesejáveis.
Negros, índios, pobres e forasteiros sempre foram vistos com maus olhos nas cidades. Notem nesse fragmento de texto:
“Durante o ano de 1741 o pavor constante de revolta dos negros culminava com rumores histéricos de uma ‘conspiração negra’. A milícia foi chamada. Centenas de pessoas deixaram a cidade (Nova York). Os negros foram recolhidos e, antes que o furor se atenuasse, 13 deles foram queimados vivos, oito enforcados e 71 levados para fora da colônia.” [2]
Referência:
TUAN, Hi-fu. Paisagens do medo [trad. Lívia de Oliveira]. São Paulo: Editora da Unesp, 2005.
[1] e [2] TUAN, Hi-fu. respectivamente pp.237 e 265.
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