O Funil da Morte em São José do Rio Preto.

São José do Rio Preto é cortada pela importante rodovia Washington Luís, a qual liga várias cidades da região à São Paulo, capital do estado. Hoje essa rodoviária tem sua totalidade duplicada, mas antes de 1985, um considerável trecho dessa rodovia era pista única.funil da morte

Foto da localidade Funil da Morte por volta de 1980. Diário da Região.

Em uma parte do perímetro urbano de Rio Preto a rodovia era duplicada, contudo nas proximidade do córrego dos Macacos, que na década de 1980 era o limite urbano da cidade, essa via se tornava pista única. Esse afunilamento se dava um pouco antes da ponte sobre o córrego dos Macacos, para quem ia sentido capital. E ali, fatidicamente, muitas pessoas perderam a vida.

Lele Arantes no seu dicionário rio-pretense nos trás o seguinte verbete sobre o Funil da Morte:

“Nome popular dado ao afunilamento das duas pistas da rodovia Washington Luís,na ponte sobre o córrego dos Macacos. O movimento político ‘SOS Washington Luís’, levado a efeito em 1985, coordenado pelo vereador Carlos Eduardo Feitosa, culminou com a duplicação da rodovia entre o córrego dos Macacos e a entrada para Engenheiro Schimitt, autorizada pelo secretário estadual de Transportes, Adriano Murgel Branco, cujas obras foram iniciadas em outubro de 1985. Logo depois, toda a rodovia foi duplicada por iniciativa do governador Orestes Quércia. Entre janeiro e setembro de 1985, haviam ocorrido 23 acidentes no chamado ‘Funil da Morte’, tirando a vida de nove pessoas.”  (ARANTES, 2001. P. 149.)¹

Eu, morador da Vila Toninho, localidade próxima ao Funil da Morte, presenciei e constatei acidentes horrendos naquele trecho da pista. Raramente se passava uma semana sem que houvesse algum acontecimento trágico por ali. Muitos moradores da Vila Toninho perderam a vida naquele trecho. Alguns deles que utilizam bicicleta para ir ao seus serviços na área mais central da cidade ou em localidades  próximas.

Existiam basicamente duas vias de acesso à Vila Toninho: a rodovia Washington Luís e um estradão de terra que parte dele hoje é a avenida de maio. Diante disso, muitos optavam por correr o risco e ir pela rodovia. Grande tristeza era quando ônibus se acidentavam no local. Cenas que o bom senso prefere esquecer. Muitos caminhões de carga com produtos alimentícios, especialmente laranja, pois havia indústrias de sucos nas proximidade, se acidentaram ali, em boa parte das vezes as cargas eram saqueadas. Pessoas de todas as idades e de vários locais tombaram no Funil da Morte.  Não raro, nós, moleques na época, encontrávamos peças e partes de veículos nas águas do córrego dos Macacos.

Atualmente quem passa por aquela ponte/viaduto não imagina quantas cenas de horrores ocorrem por ali.

 Nota.

1. ARANTES, Lelê. Dicionário Rio-Pretense, a história de São José do Rio Preto de A a Z.2ed. São José do Rio Preto: Casa do Livro, 2001.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...