Poesia. Sonâmbulo, Luiz Martins Guimarães.

Por: Luiz Martins Guimarães.

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Chegaste tão cedo

Sem despertar a madrugada

Eu, sem malícias nem segredo,

Sonhos de uma noite enluarada

 

-Ainda estava acordado.

 

Se amei não sabia

Embriagado de boa intenção

Vivia em ti as hora do dia

Como manda o coração

 

-Louco!… Sem estar acordado.

 

Foi cedo demais!…

Antes que eu tivesse cuidado

E feito, os preparos formais

E, suavemente, ter te amado

 

-Precisava estar acordado.

 

Dar-te mais carinho

Ter sido mais ousado ainda

Quiçá, até, um pouco mesquinho

E não me expondo na berlinda

 

-Ser, como se estivesse acordado.

 

Ter te amado enfim!

Sob teu olhar desconfiado

Que só pensarias em mim

E eu somente em ti preocupado

 

-Querendo só estar acordado.

 

Foi cedo pra mim

Foste o seis na pedra de um dado

Mas, prêmio?… só o dado em marfim

Ganhei sem ter jogado

 

-Isto, se eu estivesse acordado.

 

Durma então comigo!

Sê o meu sonho tão desejado

Sou como querias, o amigo

E seremos, de um, o outro lado,

 

-Mesmo sem estar acordado…

 

In: GUIMARÃES, Luiz Martins. UniVersos iniciáticos. São Paulo: Marco Markovitch, 1998. pp.25-26.

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