São Vicente do Talhadão. O núcleo urbano mais antigo da região de Rio Preto.

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Mapa de 1913, a vila de São Vicente está cartografada. Fonte: Diário da Região.

Estudos arqueológico estão comprovando que existiu um núcleo urbano mais antigo que Rio Preto no noroeste paulista. Esse núcleo seria a vila de São Vicente do Talhadão, nas proximidades da cachoeira do Talhadão, município de Palestina.

Os indícios de que poderia haver no local um núcleo urbano começaram a ser levantado pelo engenheiro Antônio Carlos de Carvalho, que catalogou possíveis sítios arqueológicos na região que poderiam ser perdidos com a construção de uma usina no rio Turvo. Dentre suas pesquisas, encontrou em um jornal de Nova Granada, um artigo de 1943 citando umas ruínas conhecidas como “casa dos pobres”, lá se encontrava um cemitério cercados com pedras sobrepostas sem argamassa. Ao que tudo indica, essas ruínas foram encontradas e estão sendo estudadas pela arqueólogo da Unesp de Presidente Prudente, Neide Barrocá Faccio.

A dona da área, uma usina, como prevê a lei, contratou a arqueóloga para a área, ali foram constatados pedras formando um muro e 24 covas, no local foi encontrado uma moeda de 1820 e um pedaço de uma garrafa com vinho.

Carvalho, o engenheiro pesquisador, encontrou em um mapa do Arquivo Público Estado de 1923, a vila de São Vicente cartografada. Pierre Monbeig e Agostinho Brandi em suas análises já haviam constatado a presença de índios e de mineiros advindos da região das Minas Gerais na bacia Turvo-Grande.

Mapa pierre monbeig, interior de s. paulo

Mapa evidenciando a penetração de pessoas no interior de São Paulo. (MONBEING, 1984. p. 134.)

Parece que a região, no início do século XIX, não era o vazio às vezes narrado. A decadência da mineração atraiu muita gente para o interior de São Paulo, um local em que ainda restava um número significativo de índios. A área entre os rios Tietê-Pardo-Grande, tendo entre eles outros rios como: São José dos Dourados, rio Preto, Ribeirão Barra Mansa, rio Turvo etc.; parecia muito adequada à afixação de pessoas, rios sempre foram vias naturais de acesso à outras paragens.

Referências:

ABREU, Allan. Aqui nasce outra história. Diário da Região. Cidades 1B, dom., 7 ago., 2016.

BRANDI, Agostinho. São José do Rio Preto: roteiro histórico do distrito: contribuição para o conhecimento histórico de suas raízes. São José do Rio Preto: Casa do Livro, 2002.

MONBEIG, Pierre. Pioneiros e fazendeiros de São Paulo. São Paulo: Hicitec, 1984.

 

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