Lembranças da velha nova represa. A represa nova de Rio Preto.

represa nova

Aspecto do terceiro lago da represa.

Os espaços urbanos adquirem novos significados e se adaptam dependendo do tempo e da alocação do capital, o local onde hoje é o terceiro lago da represa de Rio Preto, no final da década de 1980 e início da década de 1990, era bem diferente de hoje em dia.

Atualmente o local é visto e percebido como uma área nobre com pista de corrida-caminhada e condomínios de alto padrão. Naqueles tempos era diferente.

Havia apenas o lago recém inaugurado e a avenida. Sem os condomínios e os aparatos urbanos conhecidos de hoje. Onde hoje se localizam os condomínios Damhas era um pasto com alguns arbustos.

Pessoas pescavam e nadavam no que era chamado de represa nova de Rio Preto. O mais interessante eram as tardes de domingo, ali se concentravam motoqueiros e carros em um frenesi que animava os jovens da cidade. Durava toda a tarde e o início da noite. Era o point  da juventude motorizada.

Barracas que vendiam refrigerantes, cervejas e lances apareciam no percurso da avenida da represa. Paravam os carros com som ligado, as motos iam e voltavam, dava para identificar os mais populares. Predominavam as Yamahas, quem tinha uma 350 era o destaque, DT 180, RX e RDs. Às vezes uma 750 four rompia com velocidade o barulho da motos dois tempos, havia as CB 400.

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Uma RX-180, uma da potentes da época.

Os carros que se destacam eram os monzas, escorts e o gol GTS, para os mais pobres fuscas, brasílias, corcéis e passatts marcavam presença.

Não raro havia uma batida policial, os temíveis comandos. A grande maioria era gente boa. Alguns carros e motos eram aprendidos devido à documentação atrasada. Mas a aventura era, às vezes, fugir da viatura, normalmente um golzinho, mas também tinha o temido opalão. A noite, em ocasiões especiais, se permanecia ou voltava ali. A intenção era trazer a “menina” conquistada para namorar com mais lubricidade. Mas “os polícia” também implicavam. Muitos policiais sabiam de nossa intenção, abordava-nos e diziam com um olhar de quem sabia da nossa intenção sexual: aqui não pode, é perigoso, saiam para o bem de vocês.

Não havia a obrigação do uso do capacete, não raro ouvíamos comentários sobres tristes fatalidades.

Hoje está tudo diferente! O jovem de classe alta que por ali caminha mal sabe da aventuras que “rolaram” naquele espaço que outrora teve outro uso, outros tempos, outras intenções.

Ficou apenas as lembranças daqueles loucos jovens com suas motos dois tempos e seus carros da moda atrás de moças bonitas com o cabelo cheirando a óleo dois tempos.

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Sobre Alexandre de Freitas

Graduado e pós-graduado em ciências humanas, professor na educação básica e superior.
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