A cidade inglesa de Sheffield tomada pela fumaa cinza das chaminŽs das f‡bricas, no in’cio do sŽculo XIX.

C: reprodu‹o

Lic/99 fasc 03 A vida no sŽculo XIX.

Urbanização e industrialização no século XIX.

revolução+industrial[1]

“As grandes cidades, como conhecemos ou imaginamos hoje, são um fato recente. Ainda que as cidades tenham aumentado sua importância a partir do renascimento comercial (entre os séculos XII à XV) e algumas adquiriram importância comercial, poucas atingiram a faixa dos 200 mil habitantes no século XVII. No século XVIII, apenas 19 cidades européias possuíam mais de cem mil habitantes, Londres chegava a um milhão e Paris a 500 mil.

Somente a partir do início do século XIX, com o desenvolvimento da industrialização, ocorreu um grande impulso da urbanização. Embora não tenha se dado de forma igual em todos os lugares da Europa, é comum dizer que ocorreu de forma quase uniforme. Mas o que significa o termo urbanização?

Urbanização é um conceito utilizado para analisar ou entender regi- ões onde o aumento da população que vive nas cidades é muito grande em relação à população total, conseqüentemente, maior do que a população rural. A urbanização está ligada ao movimento migratório do campo para a cidade, isto por causa de mudanças estruturais ocorridas no campo nos séculos anteriores, as quais possibilitaram que as cidades possuíssem uma capacidade produtiva maior.

Assim, podemos perceber uma estreita relação entre industrialização e urbanização. A industrialização iniciou-se na Inglaterra, no século XVIII, conhecida como Revolução Industrial. Alguns fatores foram determinantes para que esse processo se desencadeasse neste momento e local como: a acumulação de capitais por parte da burguesia mercantil (que lidava com o comércio), o desenvolvimento técnico-científico aplicado na produção de mercadorias e a disponibilidade de mão-de-obra de camponeses expulsos de suas terras ou oriundos de regiões que passavam por crises sociais de grandes proporções, como a fome irlandesa (1846). Estes fatores irão favorecer tanto o processo de produção industrial quanto a própria urbanização.

Entretanto, não podemos entender a relação entre urbanização e industrialização apenas pelo aspecto do aumento da população das cidades. Com a industrialização ocorreu também uma mudança no papel da cidade e na estrutura interna desta.

As cidades, que até o século XVIII eram centros de comércio e já contavam com certa estrutura política e administrativa, foram locais onde o aparecimento de indústrias ocorreu de forma mais rápida, pois contavam com concentração de capitais acumulados com o comércio, eram centros políticos e possuíam reservas de força de trabalho. Gradativamente, elas foram se adaptando às necessidades capitalistas e a indústria se apoiou em muitas delas, aproveitando os conhecimentos e tradições na produção que já realizavam, por exemplo: uma cidade que contava com uma produção artesanal de papel ou de tecidos foi Urbanização e industrialização no século XIX 153 História absorvida pela indústria e se transformou em um grande centro urbano especializado nestes artigos. Algumas cidades ficaram conhecidas pelo trabalho com ramo industrial particular, como: têxtil, metalúrgico, produção de vinhos, etc.

Ocorreu, no mesmo período (início do século XIX), a instalação de indústrias fora das cidades, como as metalúrgicas e as de extração de carvão. Estas buscavam proximidade com fontes de energia para movimentar as máquinas (carvão, mais comum na época) e matéria-prima (carvão e outros minérios), e eram supridas pela força de trabalho dos camponeses. Quando isto ocorreu, surgiram cidades em torno das indústrias ou pequenos povoados se transformaram em pouco tempo em grandes cidades, como Ruhr (Alemanha), Donetz (Rússia), Birmingham e Manchester (Inglaterra).

Em 1700, Manchester era um povoado e em 1800 já possuía 100 mil habitantes. Birmingham em 1740 tinha 25 mil moradores, em 1800 contava com 70 mil.

A cidade industrial.

As cidades mais antigas que não sofreram alterações com a industrialização são chamadas de pré-industriais e as que foram alteradas em sua lógica são chamadas de cidades industriais (aquelas surgidas ou que se transformaram a partir do final do século XVIII e início do século XIX).

As cidades mais antigas que não sofreram alterações com a industrialização são chamadas de pré-industriais e as que foram alteradas em sua lógica são chamadas de cidades industriais (aquelas surgidas ou que se transformaram a partir do final do século XVIII e início do século XIX).

Ao redor do centro formava-se uma nova área, considerada periferia ou subúrbios. Neste local, surgiam bairros luxuosos para abrigar a burguesia, que fugia do ar poluído, da sujeira, do mau cheiro e da multidão que vivia no centro, estes procuravam lugares mais abertos, com áreas verdes, ruas arborizadas. Surgiam bairros habitacionais para os operários recém-emigrados do campo e, também, eram construídas áreas industriais maiores. riam o lucro sem se preocupar com as conseqüências, com isso pensavam as cidades sem intervenção do governo (em suma uma administração liberal da cidade).

A precariedade das cidades européias era mais sentida pela população pobre. Suas casas eram pequenas, não pegavam sol, não tinham ventilação e iluminação, nem uma forma adequada de eliminar o lixo domiciliar que era jogado nas ruas que, também, servia para criar porcos. As casas se localizavam nas proximidades das indústrias, estradas de ferro e rios, fontes de fumaça, barulho e poluição.

Nas cidades industriais surgidas a partir de cidades antigas, os trabalhadores passavam a habitar casas de famílias antigas transformadas em cortiços. Cada quarto passou a abrigar uma família toda (prática realizada em Glasgow, na Escócia e Dublin, na Irlanda, até o início do século XX). Era comum, também, o congestionamento de camas onde dormiam de três a oito pessoas de idades diferentes. Pobres e privados de seus antigos referenciais culturais, os trabalhadores urbanos tendiam a formar uniões instáveis que acabaram por alterar a sociabilidade vigente, transformando a população dos cortiços em pessoas com padrões éticos diferentes dos de suas aldeias rurais de origem.

A sujeira era enorme tanto nos novos como nos velhos bairros operários. As novas casas eram construídas com materiais baratos sem alicerces. Na Inglaterra, em cidades como Birmingham e Bradford, as casas foram construídas de parede-meia, dois em cada quatro quartos não recebiam luz nem ventilação. Em cidades marítimas, de grande importância econômica por causa dos portos, os porões subterrâneos eram utilizados como moradias. O Relatório sobre o Estado das grandes Cidades e dos Distritos Populosos de 1845 informava que em Manchester (Inglaterra) cerca de 7000 pessoas utilizavam apenas 33 privadas.

Essa condição trazia doenças, epidemias e gerou revolta da classe trabalhadora e das pessoas consideradas pelas elites como desclassificadas (mendigos, escroques, vagabundos e multidões famintas). O iní- cio da segunda metade do século XIX é marcado por ‘jornadas revolucionárias’ principalmente em Londres e Paris.”

Fonte:

História / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2006. pp. 15-154.

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