Em Rio Preto, do início do século XX: filho mata o pai acidentalmente.

O acidente aconteceu por volta do mês de abril de 1908, portanto há 100 anos. Um pai pediu para o filho buscar alguns porcos que tinham escapado do chiqueiro, o serviço não ficou como o pai esperava e, o pai, ao tentar bater no filho, acabou sendo esfaqueado.

Veja reportagem na íntegra.

“Morte por acidente.

Vindo em dia dessa semana do distrito de Avanhandava apresentou-se a autoridade e a prisão Marcolino do Prado, que acaba de matar seu próprio pai, Manoel Theodoro do Prado.

Ordena este a Marcolino que fosse recolher ao chiqueiro alguns porcos dali escapados. Não tendo feito o serviço a contendo do pai este ameaçou de quis batê-lo.

Marcolino correu e o velho atirou-se a seu encalço, em um momento preciso, quando o velho ia alcançar o filho,  este volta-se e neste momento, o esbarro que deu, a faca que estava armado Marcolino, e que servia ao conserto do chiqueiro, penetrou quase todo no ventre do velho Theodoro do Prado.

Seguiu dali a morte do pobre pai.

Marcolino é um cretino, como indica o físico, seu todo, seu aspecto.

Acha-se recolhido na cadeia local”.

Observações:

A língua portuguesa foi atualizada. Nota-se, no juízo de valor expresso no final, uma certa tendência à concordância com teorias racistas do final do século XIX e início do século XX.

Fonte: Jornal O Porvir, 5 de abril de 1908, ano V, nº 234, p. 2.

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Memórias da educação em Rio Preto: movimento da escola em 1907.

No segundo semestre de 1907, a Primeira Escola Pública de São José do Rio Preto, para sexo masculino, tinha o seguinte movimento:

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Fonte: Jornal o Porvir, 1º de janeiro de 1908, ano V, nº 223, p.2.

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Economia solidária: o pago e o grátis em pequenos circuítos econômicos.

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Ensaio.

Não é muito normal as pessoas perceberem com nitidez o momento no qual elas estão vivendo. Em se tratando de economia, renda, geração de emprego e cooperação os contornos às vezes ficam mais confusos, em  especial pelo fato de que em uma sociedade capitalista o lucro é a mola mestra do crescimento econômico. Não vou me embrear aqui por discussões econômicas complexas, isso Paul Singer já fez, quero apenas levantar algumas possibilidades e questionamentos.

O primeiro questionamento é o seguinte: é possível oferecer um produto ou serviço gratuito na economia capitalista? Ou, se uma empresa ou pessoa oferece esse serviço há intenções obscuras por trás disso? Obviamente as respostas não são fáceis. Mas, vou tentar desenvolver alguns argumentos sobre esse tema.

Há poucos meses, no Jornal Folha de São Paulo, um nome muito famoso, o qual não quero citar aqui, desenvolveu um argumento defendendo o porquê que seus escritos não podiam ser disponibilizados gratuitamente. Fez uma comparação que na minha opinião foi infeliz. Questionou que seus escritos não podiam ser gratuitos porque se entrássemos em uma rede Pão de Açúcar não conseguiríamos produtos gratuitos.

Não sei se esse figurão ignora ou não leva em conta determinadas experiências que vêm ocorrendo na Europa há algum tempo. Dentre elas, feiras nas quais é possível comer produtos sem pagar nada, mesmo que depois você resolva não comprá-los para levar para casa em quantidade suficiente para sua família. Mas, eu quero ir além disso.

Não acho que todo produto produto ou serviço possa ser gratuito, mas talvez alguns sim. Em conversa com um nome pouco conhecido mas com uma lucidez intelectual incomparável, meu amigo André Ebner, ele me apresentou um futuro no qual o dinheiro nem seria preciso. Depois de refletir muito sobre o que ele falou, vi que ele não é  tão louco como se pode imaginar. Contudo, por enquanto, nem tanto lá, nem tanto cá. Quem sabe podemos colaborar com o início de o fim de uma era – a era do dinheiro.

Vamos pensar em uma profissão braçal até certo ponto “desvalorizada”. Se um pedreiro tivesse a certeza de que iria chegar ao mercado e lá encontrar um quilo de carne grátis, será que ele não faria uma calçada gratuitamente? Mesmo que não fosse para o dono do mercado? O médico cobra uma consulta por que tem necessidades e desejos que para serem satisfeitos precisam de dinheiro. Mas vamos supor que não precisasse. Ele poderia oferecer consultas de graça? Poderíamos dar mais exemplos assim… o mérito desse ponto de vista é do meu amigo supracitado, não é meu. Mas possivelmente não chegaremos nesse patamar das coisas no próximo milênio.

Por enquanto, poderíamos nos contentar com determinados produtos e serviços que são oferecidos gratuitamente. Parece que isso já ocorre, com uma certa “malandragem”. A Google, por exemplo, consegue lhe oferecer muitas coisas que você com certeza pagaria para tê-las: blogs, sites, youtube, e-mail, drives etc. O Facebook segue um caminho semelhante. Só que, ambos usam seus dados, muitas pessoas nem ligam para isso, mas outras se incomodam muito.

Outra forma que essas empresas usam para ganhar dinheiro é com um tipo de pagamento indireto pelos serviços que você  usa. Aqueles famosos anúncios. Alguns reclamam de anúncios em seus e-mail, sites etc. Porém, não reclamam quando assinam ou compram a Folha de São Paulo, o Globo, o Estadão, revistas etc.,  e vê ali várias páginas com anúncios, dos quais você não recebe o mínimo percentual.

Estamos chegando a um ponto em que podemos afirmar que tudo que é de graça na verdade alguém paga por esse produto ou serviço. E isso é fato. Mas, nem sempre a pessoa que paga é o mesmo que consome. Seria isso um avanço?

Uma empresa patrocina um curso em uma plataforma de cursos online gratuitos, coloca uma propaganda ali naquele espaço bem embaixo do curso com o dizer – patrocinado por… O nome dessa empresa fica associado a uma ação educativa-cultural, isso é bom  para ela. Ela não está preocupada com quem fez, vai fazer ou se interessa pelo curso, mas quem faz o curso tem um benefício real. Isso é inegável.

Vamos analisar outro caso, um dono de uma padaria inova no seu pão e resolve distribuir uma certa quantidade para depois de testado e aprovado conseguir boas vendas. Talvez o fim compromete a ação. Contudo, inegavelmente mais uma vez, não dá para ignorarmos o benefício.

Podemos usar mais um exemplo, aqui e agora neste site, você não está pagando para ler isso aqui (se tivesse às vezes não estava nem lendo), mas eu faço isso por gosto, e de quebra, os anúncios da Google geram uma ínfima graninha no final do ano para mim.

Quem sabe a economia possa funcionar parcialmente com pagamentos indiretos, com base em um prazer sincero em fazer algo ou oferecer um serviço que possa ser útil. Ou ainda, com trocas de produtos e serviços de forma não bilateral, mas multilateral. Por exemplo, na certeza de achar um um pintor que pintará minha sala de graça vou dar uma aula gratuita, e não para o pintor que me fez o serviço, mas para que se interessar. Pois saberei que o próximo serviço que receber também será de graça.

São muitos pontos que geram dúvidas e na tentativa de respondê-las novas formas de pensar, sentir  e agir surgem. Vamos a elas!

 

 

 

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Memória da odontologia em Rio Preto.

Em 1912, São José do Rio Preto já apresentava um certo desenvolvimento, a Estrada de Ferro Araraquara já estava na cidade e o comércio aumentava significativamente. Esse movimento, como é natural, atraía profissionais liberais para localidade.

Vemos que em 1912 havia por aqui, mais especificamente na rua General Glicério, o consultório dentário do Dr. Alcindo Paoliello, diplomado pela Escola de Odontologia de São Paulo.

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Fonte: Jornal A Cidade, 24 de fevereiro, 1912, ano I, nº 37. p. 3.

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Rio Preto e sua poesia centenária.

A literatura está presente nos jornais há muito  tempo. Hoje um pouco menos, mas poesias, contos e crônicas eram publicadas com grande frequência em jornais, os quais eram os poucos meios de informação e comunicação no início do século XX. Escritores se tornaram famosos utilizando o meio jornalístico para expressar suas artes.

Em São José do Rio Preto  podemos encontrar interessantes obras literárias em jornais antigos, uma delas intitulada “Visinha” de 24 de fevereiro de 1912, foi escrita há 106 anos por K. Penga.

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Fonte: Jornal A Cidade, 24 de fevereiro, 1912, ano I, nº 37. p. 2.

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Movimento do café despachado e recebido na estação de Rio Preto: 1912-1927.

O café e a ferrovia contribuíram significativamente para o progresso de São José do Rio Preto, a economia, tendo como uma das bases principais o café, e fatores de ordem política, trouxeram a ferrovia para a cidade. Uma vez aqui, e ela chegou em 1912, permaneceu por 10 anos, fato que fez com que o comércio se concentrasse mais ainda na localidade.

Na imagem abaixo podemos ver um notável aumento na movimentação de café na estação de Rio Preto entre os anos de 1912 e 1927.

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Fonte da imagem: 

ABRUNHOSA, Abílio Cavalheiro e LAURITO, Paulo. Álbum Illustrado da Comarca de Rio PretoDuprat Mayença: 1927-1929. p. 466.

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Marcos da antiga Praça Cívica em Rio Preto.

Em outra ocasião já discuti sobre a tragédia da destruição da Praça Cívica em São José do Rio Preto, um espaço que guardava muita da história, da memória e da arquitetura da cidade. O artigo está publicado no Vitrúvius, para quem quiser dar uma espiada: Era uma vez uma praça: o triste fim da praça cívica.  Agora, gostaria de contribuir com mais lembrança e marcos daquela praça.

Um espaço público e composto de subespaços e marcos como referência, pequenos monumentos que às vezes contém esculturas, placas de homenagem etc. Na Praça Cívica havia um interessante globo e próximo a ele uma pequena edificação com uma placa de agradecimento do Conselho de Pastores.

Os marcos, em algumas ocasiões, representam e manifestam uma homenagem, fazem referência a algo ou alguma coisa importante. Eles estão presentes antes mesmo do surgimento das primeiras cidades. A história desses lugares pode se perder se não forem interpretados e entendido o sentido que eles guardam.

No caso da Praça Cívica, não temos mais informações sobre o que motivou a construção da globo e do marco citado. Ficam as fotos para quem quiser contribuir com interpretações e informações.

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Fotos: Alexandre de Freitas – 2012.

 

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Grandes nomes da medicina de Rio Preto: Dr. Leonam Sellmann Nazareth.

 

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Dr. Leonam Sellmann Nazareth. Foto: Jayme Colagiovanni - 1960.

O Dr. Leonam Sellmann Nazareth era especialista em olhos, nariz, garganta e ouvido, na cidade de São José do Rio Preto também se destacou na política, na agropecuária e na hipinose.

O médico nasceu na Bahia  em 1901, formou-se na faculdade de medicina daquele estado e veio para São José do Rio Preto em 1927. Foi vereador na cidade e secretário da câmara, em 1935 fundou o Clube de Natação de Rio Preto e chegou a ser presidente do Rio Preto Automóvel Clube.

Na agropecuária implantou a cultura do coco de dendê, chegando a montar uma pequena indústria do produto, na década de 1950 foi pioneiro na criação de búfalo na região.

Ainda na medicina, chefiou a clínica de otorrinolaringologia por 20 anos na Santa Casa de Rio Preto. Destacou-se nos trabalhos sobre tracoma, estudioso de hipnose, fundou a Sociedade de Hipnose Rio-Pretense no ano de 1957, o médico fez duas cirurgias de amígdalas utilizando a técnica. Faleceu aos 94 anos no ano de 1995.

Referência:

Diário da Região. Suplemento especial, 19 março, 1996. p. 27.

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Memória e história através de textos imagéticos em São José do Rio Preto.

As imagens são textos ricos para se produzir conhecimento, nelas são possíveis fazer inúmeras leituras e análises. Elas também acumulam tempos desiguais, essa desigualdade temporal revela signos, costumes, culturas, condição econômica etc.

Uma foto, se bem observada, mostra-nos como as pessoas pensam, sentem e agem. É possível saber a época aproximada na qual ela foi tirada, com qual objetivo e o que essa ação significava para as possíveis pessoas que foram fotografadas.

Em se tratando de fotos de prédios, elas ganham contornos interessantes. Quando o imóvel resiste a força do capital e vai ficando velho, seu entorno, muitas vezes, muda. A função para a qual o prédio foi construído se altera, ele fica como um testemunho incrustado em um tempo diferente daquele em que foi construído. As ideias, os gostos e costumes que moveram ações para tal construção já não existem mais, é devido a isso, dentre outras coisas, que se torna importante preservarmos os patrimônios históricos.

Vamos tecer algumas leitura de imagem.

Recorte, farmácia N.S. do Carmo

Quem é a menina? Parece que está prestes a se tornar uma adolescente. Está descalça, em que época está foto foi tirada? Quem são as pessoas que a acompanham? Poderíamos prosseguir com mais perguntas, apesar de nem todas poderem ser respondidas, algumas podemos responder. Era muito normal crianças não usarem calçados até aproximadamente a década de 1950, quando usavam era em uma ocasião especial. Então, possivelmente ela foi pega de surpresa ao tirar a foto. Parece que ela tenta destacar o vestido, ampliando-o com as mãos, uma atitude própria da idade. Se essa menina estiver viva hoje estará muito velha, essa foto foi tirada provavelmente na década de 1940.

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Aqui temos a foto ampliada. Percebemos que há outras crianças, uma agachada, umas moças, alguns adultos. Pessoas mais bem vestidas ao fundo. Os homens usam chapéu, muito normal atém 1950. Agora já podemos perceber que se trata de um salão comercial e a foto era para dar visibilidade ao estabelecimento. Bem provável que o proprietário e alguns funcionários estivessem na foto. E as crianças? Seriam clientes? Filhos dos funcionários, vizinhos que foram até ali para sair na foto?

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Essa foto comprova que se trata de um ambiente comercial. Um prédio muito bem construído. Há mais pessoas na janela do andar superior. Fica em uma esquina e trata-se de uma farmácia – Farmácia N. S. do Carmo –  o letreiro foi adicionado à foto. Todos estavam preparados para a foto, não se trata de pegar ninguém de surpresa, o que comprova que as fotos eram raras, eventos esperados e desejados.

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Essa é a foto recente (2017) do local, em um ângulo diferente, evidenciando a outra rua da esquina. Fica na esquina da rua Boa Vista com a Tiradentes, no bairro Boa Vista, a função alterou-se, agora ali funciona uma rádio.  A foto foi tirada por uma câmara digital, não é mais novidade. Não foi feita por encomenda, o autor (Alexandre de Freitas), parou em uma esquina e simplesmente a tirou, a ação nem foi notada. Nota-se carros e não pessoas. Nesta época, seria muito fácil as pessoas serem incomodadas se saíssem na foto, diferença da década de 1950, quando a foto antiga foi tirada, inclusive me lembro de ter esperado alguns transeuntes passaram para clicar. A arquitetura do prédio praticamente não sofreu alterações, tornou-se uma presença do passado no presente.

Finalizando, hoje muitas pré-adolescentes como a menina em análise têm celulares que tiram fotos excelentes, a ação de tirar uma fato e registrar um momento também se alterou. Tornou-se algo corriqueiro e muito mais ligado à necessidade de se expressar.

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Memória da medicina em Rio Preto.

Memória da medicina em rio preto

Ao que parece, por volta de 1905, o Dr. Brande anunciava um milagroso remédio para os órgão reprodutores e vias urinárias.

Na propaganda, um tanto panfletária, o medicamento promete acabar com todos os males, fazendo até os rins voltarem a funcionar. Entre tantas coisas: “(…) as partes genitais recuperam seu vigor” e finaliza deixando claro que se garante a cura absoluta.

Nos dias de hoje talvez essa propaganda poderia ser proibida!

Fonte:

O Porvir, 5 de nov. de 1905, p. 4.

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