A Segunda Baixada, São José do Rio Preto.

Segunda Baixada era o nome que se dava a um local no córrego dos Macacos na altura de onde hoje é o bairro Cidade Jardim. Neste local crianças, adolescentes e adultos iam para nadar e pescar e se caracterizava por um alargamento do rio, o que chamávamos um “poção” com um profundidade razoável.

2ª baixada, jun. 2015 (6)

Atualmente, pelo que se nota, o local não é mais frequentado por pessoas que nadam. Talvez ali ainda pescam. Localiza-se na estrada de terra que leva às chácaras da Unitra, como pode se notar no foto acima.

2ª baixada, jun. 2015 (1)

 

Aspecto atual da localidade que foi conhecida como Segunda Baixada, foto de 2015. 

2ª baixada

 

Imagem do Google Maps da localidade Segunda Baixada.

Ali era um ponto de encontro de muitos jovens da década de 1980, uma época em que não havia nem o bairro Cidade Jardim, nem o São Marcos. Eu e minha turma, então moradores da Vila Toninho, tínhamos acesso à localidade seguindo trilhas ao longo do córrego dos Macacos. Íamos da Vila Toninho até a localidade seguindo essas trilhas, às vezes pescando, batendo peneira, caçando passarinhos até chegarmos à Segunda Baixada.

Em muitas ocasiões encontrávamos ali jovens de outros localidades da cidade, muitos deles do recente bairro São Francisco e de outros bairros próximos à avenida Potirendaba e Getúlio Vargas.

O nome da localidade é curioso e não de todo esclarecido. Em conversa com moradores antigos que conheciam a região, minha mãe, moradora do Jardim Novo Mundo na década de 1960, meu avó que conviveu na região por muito tempo eles afirmam que o nome da localidade sempre foi esse, mas não especificaram o local exatamente como o conheci na década de 1980. Parece-me que o nome referia-se a toda uma área mais abrangente do que o poção em si. Em questionamento próprio sobre o porquê do nome, pareceu-me coerente analisar que se há (ou havia) uma segunda baixada teria que haver a primeira. Possivelmente a primeira baixada de quem vinha sentido avenida Potirendaba-Vila Azul seria a baixada da nascente do córrego Baixada Seca. Mas restam dúvidas no ar.

No mais, fica o registro de uma memória de tempos em que a cidade acabava na rodovia BR 153, de lugares que serviram de lazer para uma juventude da década de 1980.

 

Fotos: Alexandre de Freitas (2015).

 

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Adelino Primo Malagoli, últimas lembranças.

O Adelino Malagoli, como era conhecido, foi um pintor de letreiros e artista plástico rio-pretense. Nasceu em Araraquara em 11/02/1925 e faleceu em São José do Rio Preto em 21/04/1989. Foi um dos fundadores e conselheiro da ARBA (Associação Rio-pretense de Belas Artes).

Compartilhei com o Adelino alguns momentos do início de minha profissão como pintor de letreiros. O Adelino lá pelos finais dos anos 80 trabalhava com seu irmão, Cláudio Malagoli, no Atelier Malagoli, ali na Saldanha Marinho. Eu, um jovem de 16 anos, passava por ali de vez em quando na tentativa de pegar alguma empreita que o seu Cláudio, dono do atelier, pudesse me repassar.

Como meu pai, Olavo de Freitas, já era conhecido antigo daqueles artistas e havia trabalhado muito com eles,  eu tentava usar esse conhecimento para “pegar” algum  serviço. Na minha visão, o seu Cláudio era mais sério, difícil tirar alguma informação. E eu, que estava começando, estava ávido para aprender tudo com todos. O Adelino parecia mais paciente, conversava mais. Acho que tinha mais paciência comigo.

A última lembrança que tenho dele foi de uma manhã que passei no atelier com meu pai para rever o pessoal, o velho artista estava colocando preços em uns pequenos quadrinhos abstratos feito em duratex. Conversamos um pouco… relatamos da paradeira do mercado. Despedi-me e fui para a oficina de pintura do Élio, ali na Delegado Pinto de Toledo.

Hoje, justamente, empresta seu nome a uma rua do Jardim Gabriela.

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História dos cemitérios da cidade de São José do Rio Preto.

O bom senso nos diz que um cemitério deve ser instalado em uma área que não comprometa a salubridade. Acontece que muitos cemitérios instalados, a princípio, em locais que pareciam adequados, foram “engolidos” pela cidade e tiveram que ser transferidos para outros lugares. Esse fato ocorreu em várias cidades que apresentaram crescimento urbano significativo, em São José do Rio Preto o caso é emblemático.

O primeiro cemitério da cidade ficava onde hoje é o fórum, Praça Rio Branco, no quadrilátero entre as ruas Bernardino de Campos, Del. Pinto de Toledo, XV de Novembro e Marechal Deodoro. Era conhecido como cemitério da  Fábrica Paroquial, por pertencer a igreja católica. Lelé Arantes afirma que os primeiros sepultamentos no local foram feitos em 1884, data que abre a possibilidade de acreditarmos que houve outro cemitério além desse que considera-se o primeiro. Esse cemitério foi desativado em 1900.

Por ser um cemitério católico os protestantes enterravam seus mortos em outro cemitério, que ficou conhecido como “Cemitério dos Protestantes” e ficava na rua Voluntários de São Paulo onde hoje está o edifício Dep. Bady Bassitt.

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 Ilustração de primeiro cemitério de Rio Preto.

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Praça Rio Branco, local onde se localizava o primeiro cemitério de Rio Preto. Hoje abriga o Fórum da comarca. Foto: Alexandre de Freitas, 2014.   

O segundo cemitério de Rio Preto, conhecido como cemitério da Maceno, foi instalado na praça Ugolino Ugolini, na Vila Maceno e teve uma vida relativamente curta. As discussões acerca do sua instalação datam de 1895 e, em 1907,  o médio Aristides Serpa, inspetor de saúde pública, apontou a inviabilidade do novo cemitério de devido ao declive do terreno e o escoamento das águas que caiam no Rio Preto.

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Segundo cemitério de Rio Preto, conhecido como cemitério da Maceno.

Praça, maceno onde era o prim. cemitério

Praça Ugolino Ugolini, local onde ficava o segundo cemitério da cidade. Foto: Alexandre de Freitas, 2014.

O terceiro cemitério, conhecido como cemitério da Ercília, cujo nome é cemitério da Ressurreição, foi projetado pelo Engenheiro Ugolino Ugolini em 1910, e sua implantação se deu nos anos de 1920, época em que substituiu de vez o cemitério da Maceno, sendo que os corpos do antigo cemitério deveriam ser transferidos para o cemitério da Ressurreição.

Esse cemitério tem uma grande importância histórica para a cidade, nele estão localizados importantes túmulos nos quais estão os restos mortais de pessoas célebres para o cenário político, econômico e social da cidade. Reflete, como todo cemitério, as concepções artísticas, as formas de pensar e sentir das primeiras décadas do século XX.

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Vista da entrada principal do cemitério da Ercília (Ressurreição). Foto: Alexandre de Freitas, 2014. 

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Túmulo do engenheiro Ugolino Ugolini. Foto: Alexandre de Freitas, 2014.

O quarto cemitério de Rio Preto, o cemitério São João Batista, foi instalado em 1964, em frente ao antigo aeroporto na avenida dos Estudantes. O primeiro cidadão enterrado ali foi Joaquim Firmino Caetano. Hoje sofre um processo de reestruturação do espaço para ampliar a demanda, com construção de “gavetas” de andares ao redor do muros em alguns espaços internos.

Cemitério S.J. Batista, jun. 2015 (4)

Vista interna o cemitério São João Batista. Foto: Alexandre de Freitas, 2015.

O quinto cemitério de Rio Preto, o cemitério Jardim da Paz, é particular e surgiu em 1990, foi concebido com o conceito de cemitério-parque, totalmente gramado e arborizado. Desde 2010 o cemitério também oferece a opção de cremação.

Referências:

ARANTES, Lelé; YARAK, Aretha. Quem faz história em São José do Rio Preto. São José do Rio Preto: THS, 2006.

ARANTES, Lelé; RODRIGUES, Milton. São José do Rio Preto: história ano a ano. São José do Rio Preto: THS, 2010.

TONELLO, Oswaldo. São José do Rio Preto: memórias de Oswaldo Tonello. São José do Rio Preto, 2006.

Cemitério Jardim da Paz. 

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O Funil da Morte em São José do Rio Preto.

São José do Rio Preto é cortada pela importante rodovia Washington Luís, a qual liga várias cidades da região à São Paulo, capital do estado. Hoje essa rodoviária tem sua totalidade duplicada, mas antes de 1985, um considerável trecho dessa rodovia era pista única.funil da morte

Foto da localidade Funil da Morte por volta de 1980. Diário da Região.

Em uma parte do perímetro urbano de Rio Preto a rodovia era duplicada, contudo nas proximidade do córrego dos Macacos, que na década de 1980 era o limite urbano da cidade, essa via se tornava pista única. Esse afunilamento se dava um pouco antes da ponte sobre o córrego dos Macacos, para quem ia sentido capital. E ali, fatidicamente, muitas pessoas perderam a vida.

Lele Arantes no seu dicionário rio-pretense nos trás o seguinte verbete sobre o Funil da Morte:

“Nome popular dado ao afunilamento das duas pistas da rodovia Washington Luís,na ponte sobre o córrego dos Macacos. O movimento político ‘SOS Washington Luís’, levado a efeito em 1985, coordenado pelo vereador Carlos Eduardo Feitosa, culminou com a duplicação da rodovia entre o córrego dos Macacos e a entrada para Engenheiro Schimitt, autorizada pelo secretário estadual de Transportes, Adriano Murgel Branco, cujas obras foram iniciadas em outubro de 1985. Logo depois, toda a rodovia foi duplicada por iniciativa do governador Orestes Quércia. Entre janeiro e setembro de 1985, haviam ocorrido 23 acidentes no chamado ‘Funil da Morte’, tirando a vida de nove pessoas.”  (ARANTES, 2001. P. 149.)¹

Eu, morador da Vila Toninho, localidade próxima ao Funil da Morte, presenciei e constatei acidentes horrendos naquele trecho da pista. Raramente se passava uma semana sem que houvesse algum acontecimento trágico por ali. Muitos moradores da Vila Toninho perderam a vida naquele trecho. Alguns deles que utilizam bicicleta para ir ao seus serviços na área mais central da cidade ou em localidades  próximas.

Existiam basicamente duas vias de acesso à Vila Toninho: a rodovia Washington Luís e um estradão de terra que parte dele hoje é a avenida de maio. Diante disso, muitos optavam por correr o risco e ir pela rodovia. Grande tristeza era quando ônibus se acidentavam no local. Cenas que o bom senso prefere esquecer. Muitos caminhões de carga com produtos alimentícios, especialmente laranja, pois havia indústrias de sucos nas proximidade, se acidentaram ali, em boa parte das vezes as cargas eram saqueadas. Pessoas de todas as idades e de vários locais tombaram no Funil da Morte.  Não raro, nós, moleques na época, encontrávamos peças e partes de veículos nas águas do córrego dos Macacos.

Atualmente quem passa por aquela ponte/viaduto não imagina quantas cenas de horrores ocorrem por ali.

 Nota.

1. ARANTES, Lelê. Dicionário Rio-Pretense, a história de São José do Rio Preto de A a Z.2ed. São José do Rio Preto: Casa do Livro, 2001.

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O último cinema de rua de Rio Preto, Cine Eldorado.

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Cine Eldorado, na rua Bernardino de Campos, no início dos anos 2000. Foto: Alexandre de Freitas. Hoje demolido. 

Na década de 1980 existiam vários cinemas de rua em São José do Rio Preto, com o surgimento dos shopping, popularização de filmes em locadoras, aparelhos de vídeo cassete, depois DVDs, esses cinemas foram se extinguindo.

O cinema de rua fazia parte de toda uma cultura, uma geração inteira ia a esses espaços que se conectavam com a cidade. Diferente dos atuais cinemas em espaços fechados dos shoppings, havia uma interação entre a rua, a cidade e o cinema. A fila para entrar era sujeita a intempéries,  chamava a atenção de quem por  ali passava e indicava a possível qualidade do filme.

No centro da cidade de São José do Rio Preto existiam 5 cinemas de rua na segunda metade da década de 1980: Cine Central, Cine Curti, Cine São Paulo, Cine Rio Preto, Cine Capitólio e Cine São José.

Na década de 1990 surge o Cine Eldorado, na Bernardino de Campos entre as ruas Independência e Mirassol. Foi o último cinema de rua a sobreviver em São José do Rio Preto. Ali foram exibidos vários filmes, muitos dos quais eu assisti prevendo o fim desse cinemas… era o último gostinho.

Ao que tudo  indica, não houve viabilidade econômica para mantê-lo em funcionamento. Por parte da população também não houve mobilização para, no mínimo, transformá-lo num cinema cultural, um espaço para exibição de filmes cults, por exemplo. Alguns fatores podem ter colaborado com o fechamento e a posterior demolição do prédio: 1. os cinemas de shoppings já estavam consolidados, 2. o público que mais curtia esse tipo de cinema já estava mais “envelhecido” e frequentava pouco os cinemas, 3. as referências sentimentais com esses espaços já estavam se perdendo e por isso a preocupação em manter esse último cinema não foi relevante.

Leia mais sobre cinemas de rua em Rio Preto…   

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Filósofos e advogados ajudarão a construir os carros do futuro.

Carro google anda sozinho

Não está longe de a humanidade ver carros circulando pelas vias públicas sem motoristas. Há algum tempo grandes empresas de tecnologia vêm desenvolvendo esse projeto e alguns testes já foram feitos. Empresas como Google, Nissan, Tesla, Sony e Apple são as que saíram na frente com essa tecnologia.

Se pensarmos em um corredor para carros autônomos até que seria mais fácil ver esse projeto viabilizado, acontece que existem decisões que “um carro” tem que tomar as quais não são puramente ligadas à matemática e comandadas por programas de computadores. Para um carro circular adequadamente é preciso noções de bom senso, valores e ética.

O jornal Folha de São Paulo na edição de 17 de fev. 2015, traz uma interessante matéria sobre o assunto. Na reportagem levanta-se o seguinte problema: se um carro autônomo se deparar com uma rua estreita, de mão dupla, na qual uma faixa está interditada? Pela programação o carro autônomo não poderia vazar uma linha dupla no meio da rua. Um ser humano teria o necessário bom senso e com o devido cuidado tomaria a atitude necessária. Mas e o carro?

São problemas desse tipo que levam as empresas do ramo a contratar filósofos. Um dos contratados foi o filósofo Patrick Lin, da Universidade Estadual Politécnica da Califórnia, que teve que trabalhar com programadores para resolver alguns problemas que envolvem possíveis atitudes que “um carro” teria que tomar. O maior trabalho do filósofo foi: “… traduzir conceitos éticos em um tipo de estrutura lógica que pode ser usada pelo computador”.

Os advogados estão sendo consultados para analisar as possíveis questões jurídicas se um desses carros cometer alguma barberagem no trânsito. Nesse caso, quem pagaria a conta? O dono do carro ou a montadora? Para o jurista Bryant Walker Smith, mesmo que os carros autônomos forem mais seguros que os dirigidos pelos seres humanos é possível que, em algum momento, algo de errado aconteça. Pensando assim, as indústrias automobilísticas têm que prever a viabilidade sobre os problemas que envolvem a justiça para fabricar esses veículos em série.

 Referência.

Folha de São Paulo. Ciência+Saúde, 17 fev. 2015.

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Escritores “desconhecidos”: Constantino de Carvalho.

Palestras e outros escritos (1)

Muita gente detêm a arte de escrever é não é tão notada. É Interessante analisarmos obras memorialistas de pessoas que por certas localidades desenvolveram vínculos, elas normalmente têm percepções singulares e através de uma evidente pessoalidade podem transmitir informações, cultura e conhecimento.

Enquadra-se nesse perfil Constantino de Carvalho.  Ele escreveu um livro em 1980 na cidade de Monte Aprazível – “Palestras e Outros Escritos”. Nesse livro ela narra fatos históricos locais e mundias, escreve sobre comunismo, guerra do Vietnã, maçonaria e literatura. É um passeio muito confortável pelas idiossincrasias de uma pessoa idosa que nasceu em Portugal e teve usas impressões sobre o mundo em que viveu aqui no Brasil.

Palestras e outros escritos (2)

Sobre Constantino de Carvalho, Benedito da Silva escreveu o seguinte no prefácio do livro “Palestras e Outros Escritos”:

“Nascido em Portugal, em 1895, e vindo para o Brasil ainda criança, Constantino de Carvalho, se não consegue esconder o seu natural amor à terra, à cultura e às coisas portuguesas, nem por isso, todavia, deixa de amar o Brasil, que considera igualmente a sua pátria, porque a pátria de seus filhos, netos e bisnetos.

Estudioso da Teosofia, seus conhecimentos espiritualistas foram todos abeberados, ao longo de mais de cinquenta anos de estudos, em abras modernas e em escritos da Índia milenar, como o Bragavad-Gita, os Vedas e tantos outros mananciais de ensinamento esotéricos e ocultistas, o que lhe proporcionou uma ampla visão da vida e do mundo, a par de uma certeza inabalável de que com a morte do corpo a vida não se extingue, e de que alegrias e tristezas, venturas e desventuras aqui experimentadas pelo homem não podem ser frutos do acaso, mas resultado da grande e inexorável Lei do karma.”

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Histórias de Rio Preto. Waldemar Verde e seu teco-teco que jogava dinheiro pela janela.

Waldemar de Oliveira Verde é um empresário rio-pretense de destaque nacional e internacional. Suas empresas são conhecidas nacionalmente, o Grupo Verde, do qual ele faz parte do conselho, é um dos 100 maiores grupos empresariais do Brasil.

Em São José do Rio Preto e região Waldemar de Oliveira Verde teve papel de destaque com produção de algodão, já foi denominado rei do algodão nos anos de 1940,  investiu no comércio de automóveis, nas marcas Studebaker, Mercedez-Benz, Toyota e Daewoo. Também foi presença marcante na política de Rio Preto e região, atuando como presidente, vice-presidente e conselhos de várias associações industriais e comerciais.

O grande empresário, de certa feita, comprou um avião teco-teco. Na na verdade trocou uma camionete Ford pelo teco-teco, isso lá em Mirassol nos idos anos de 1942. O empresário era correspondente do Banco do Brasil e precisava entregar dinheiro para seus clientes. Nem sempre era fácil chegar aos lugares por aquela época, o avião facilitou a vida de Waldemar Verde.

Chegou a construir várias pistas de pouso para facilitar o serviço. Mas em alguns lugares não era possível. Em Ida Iolanda, atualmente distrito de Nhandeara, Waldemar Verde não tinha como pousar o avião. O habilidoso empresário e piloto exímio diminuía a velocidade do  avião de 100 Km/h para 40 Km/h, baixava um pouco, dava uns gritos com o avião voando em volta da igreja e jogava o pacote de dinheiro pela janela.

Imagino que eram bons tempos. Onde dinheiro podia ser jogado pela janela do avião.

Referência:

ARANTES, Lelé, REY, José Luiz; YARAK, Areta. Quem faz história em São José do Rio Preto. São José do Rio Preto: THS, 2006.

Diário da Região.Vida & Arte, 20 jul., 2014, 4-C e 5-C.

Observação: a foto é apenas ilustrativa, não se refere ao verdadeiro avião de propriedade do citado empresário.Fonte da foto:   bcac3869.blogs.sapo.pt

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Culturas orientais, a cultura Khemer.

 Imagem: onemoredestination.blogspot.com

 O povo Khemer habitou vastas áreas do sudeste asíatico. Ali desenvolveram uma poderosa civilização que teve seu auge entre os séculos V e XV.

Estima-se que sua capital – Angkor – possuia 750 mil habitantes.

Essa civilização miscigenou-se com vários povos da região e incorporou vários costumes hinduístas.

Os khemer também entraram em conflito com vários povos da região, porém essas contendas não foram suficientes para apagar a cultura khemer que deixou como legado maravilhosas construções que comprovam a influência hindu na sua arquitetura.

Estudiosos não ainda não têm um consenso para explicar o fim de tão pujante civilização.

Conflitos, mudanças religiosas, expansão econômica figuram entre as principais causas.

Sobre as possíveis causas da derrubada de sua capital – Angkor – por conflitos estudiosos analisam que: ” a cidade estava dilacerada por rivalidades internas, o que aumentava sua vulnerabilidade aos ataques de Champa, a leste, e do reino de Ayutthaya, a oeste. Um dos motivos era a poligamia dos soberanos khmer, o que contribuía para confundir a linha sucessória e provocava intrigas quando os príncipes lutavam pelo poder. ‘O Estado khmer tinha uma estabilidade precária’, afirma o arqueólogo Roland Fletcher, da Universidade de Sydney, codiretor de um programa de pesquisa denominado Projeto Grande Angkor.” [1]

Nem sempre os conflitos e as intrigas internas daquela sociedade são vistas como motivos do fim de tal civilização. Às vezes, e o que parece mais coerente pode ter sido um pouco de tudo.

Analisem como economia, força de trabalho e religião podem ter correspondência numa sociedade.

“A cidade estava baseada em uma economia não-monetária, ou seja, em impostos e tributos. Na prática, a moeda do reino era o arroz, o alimento básico dos trabalhadores convocados para construir os templos, assim como dos milhares de capatazes que os dirigiam. De acordo com uma inscrição em um dos complexos religiosos, o de Ta Prohm, somente nesse templo trabalhavam 12,6 mil pessoas. A inscrição também registra que mais de 66 mil lavradores produziram cerca de 2,5 mil toneladas de arroz por ano a fim de alimentar essa multidão de sacerdotes, dançarinas e trabalhadores do templo. Extrapolando tais contas para apenas três templos importantes – Preah Khan e os complexos religiosos de Angkor Wat e Bayon -, estima-se que a mão de obra rural necessária para mantê-los poderia ser de 300 mil lavradores. Ou seja, quase metade de toda a população estimada da Grande Angkor. Uma nova e igualitária religião como o budismo teravada seria um poderoso fermento para rebeliões.” [2]

Os monumentos dessa grande civilização são testemunhos da grandeza de que desfrutaram, comprovam, também, a abrangência do hinduísmo naquela região da Ásia. Todos os complexos de templos e demais vestígios desse povo são estudados por pesquisadores que se fascinam com novas descobertas.

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Alexandre, o grande, e a fusão cultural entre o Oriente e o Ocidente.

Alexandre, o jovem rei macedônio fez histórias com suas conquistas.
Partindo da Europa seu exército conquistou terras longíquas que nunca um europeu havia chegado antes.
Conquistou terras de três continentes – Europa, África e Ásia – fundou 17 cidades e alcançou as terras do subcontinente indiano.
Ao que tudo indica havia no conquistador uma obsessão pelo glória e pela necessidade de conquistar cada vez mais. Em uma passagem, quando ainda criança recebia notícias de que seu pai Filipe havia conquistado mais uma região, Alexandre lamentava com os amigos que seu pai não iria deixar nada para ele conquistar. Relata-se que o jovem rei era obcecado pela grandeza.
Uma das estratégias que Alexandre usava após conquistar uma região era a de dar liberdade aos conquistados para que pudessem praticar sua cultura, isso favorecia seu governo. Chegava a estimular a união de seus comandantes com mulheres asiáticas e o próprio chegou a se casar com uma nobre iraniana.
As culturas orientais também exerceram um grande fascínio sobre ele, com isso Alexandre também teve facilidade de reconhecer e respeitar os costumes e a coragem de seus inimigos.
Na verdade havia uma tática implícita que visava fundar os alicerces de um grande império. Pois com isso ele pretendia evitar a fragmentação.
Quando o império de Alexandre se desfez (321 a.C) a cultura oriental influenciava e encontrava-se miscigenada à cultura macedônia europeia. O helinismo se rendeu a deuses como Ísis e Serápis do Egito, incorporam cultos à imortalidade. “Surgia, assim, o caldo heterogêneo no qual nasceria o cristianismo.”
Referência:
Revista Super Interessante. jan. 2005. Ed. Abril. pp.40-49.

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